Por que vamos seguir cozinhando?

Não é por não saber fazer outra coisa, por vaidade ou orgulho de não desistir. É porque, na cozinha, vemos diariamente o que nós, humanos, somos capazes de transformar. Uma revolução silenciosa que se passa entre o barulho das panelas e os gritos da marcha de pedidos. Um sutil aroma de mudança que é servido junto com a comida no prato.

Na frente do fogão, todos nós já fomos subestimados, testados e derrotados. Expostos a críticas que nos abalaram, sendo nossa reação ignorá-la ou discordar veementemente. Um prato que deu errado, apesar de todo trabalho, ou a falta de retorno, apesar de toda dedicação. Uma crise, os altos impostos, o cansaço que tomou conta.

Mas nós seguimos cozinhando, mesmo que pareça que nesse momento não é possível. Porque mais do que transformar ingredientes em bons pratos, nós mudamos a vida de todas as pessoas envolvidas neste ciclo da alimentação. É nossa responsabilidade com aquele que produz, com aquele que cozinha e com quem recebe a nossa comida.

É a convicção de que estamos no lugar certo, fazendo o que precisa ser feito e para quem entenderá a mensagem, prontamente ou em breve. Porque as maiores mudanças surgem das inquietações verdadeiras. Do prazer de virar o jogo e provar que é possível superar qualquer coisa quando o que nos motiva vem do coração.

E mesmo que agora não existam estrelas ou premiações, há uma disputa muito maior para vencermos. Juntos. Agora, mais do que nunca, queremos agradecer a todos que continuam apoiando os restaurantes, e afirmar: seguiremos cozinhando, sim. Afinal, é uma imensa honra servir.